Três e meia da manhã de uma sexta-feira, em Williamsburg, no Brooklyn. Saída da balada, lua brilhando num céu encoberto por nuvens, com uma fina garoa. Romantismo puro! Minha amiga se agachou na saída do bar, em silêncio, como se fosse apreciar o clima... só que colocou para fora toda a comida tailandesa do jantar.
"Vão pensar que eu bebi todas", disse. Realmente, àquela hora, naquele local, não haveria outra possibilidade. A mim, só restava perguntar se ela estava bem e oferecer um lenço de papel. Além de relembrar outras histórias parecidas.
A próxima cena ocorreu em uma reportagem que fiz quando ainda era foca. Ônibus lotado de estudantes de dez anos, indo para o cinema pela primeira vez. Janelas fechadas, ambiente abafado, e em quinze minutos já havia uma criança vomitando. Na sequência, outra avisa à professora que mais dois colegas estão em vias de repetir o gesto, quase num efeito dominó.
E é sempre assim que ocorre. Basta um começar e logo os outros se sentem mal. Por isso, a melhor opção é sempre se isolar, para não haver "contaminação". Foi o que fiz no mês passado, quando fui a vítima do mal-estar, em Caracas.
Havia jantado com uns amigos na noite anterior da posse presidencial. Nas últimas garfadas, notei que havia algo errado. E às quatro da manhã, meu estômago confirmou o pressentimento. Lá fui eu conversar com o vaso sanitário. Tive tempo de observar as sujeiras que ficam fora do alcance da camareira e de pensar em alternativas para a minha cobertura para dali a algumas horas. Afinal, nada pode ser considerado tempo perdido!
E para encerrar o texto, antes que você, leitor, entre neste "efeito dominó", uma história ocorrida há algumas semanas, de uma outra amiga que também passou mal no final da balada - mas, esta sim, porque havia bebido todas.
Entre uma cantoria e outra no karaokê, ela se isolou no banheiro para "limpar" o estômago. E meu amigo, que estava de olho nela, ao saber do que ocorria, logo desistiu de tomar qualquer iniciativa. Afinal, há coisas que nem o romantismo da lua e nem um halls extra-forte resolvem...
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Duas semanas, duas posses
Em menos de dez dias, pude cobrir duas posses presidenciais. Uma, em que o re-eleito estava lá. A outra, em que ele não estava. Washington e Caracas me trouxeram bons aprendizados.Começo pela posse do presidente Barack Obama. O número de espectadores em frente ao Capitólio, estimado em 800 mil pessoas, foi de encher os olhos. E olha que havia um milhão a menos do que há quatro anos. Nem parecia…
O nome do chefe da nação era estampado nos gorros e cachecóis usados para espantar o frio de zero grau. A cada entrevista, histórias de pessoas que se inspiravam na história que acontecia ali, na minha frente. Choros, sorrisos, uma população que transbordava patriotismo no hino nacional ou na bandeira levantada a todo instante.
Já na posse de Hugo Chávez, a ausência do mesmo nem parecia ser notada nas ruas de Caracas. Desde cedo, apresentadores da tv estatal usavam camisetas com a foto do comandante para apresentar os telejornais. O mesmo rosto estampava bandeiras, cartazes e inúmeros acessórios na capital do país.

No centro da cidade, um homem solitário e seu violão entoavam hinos pela saúde do presidente. Em frente ao Palácio Miraflores, o próprio povo era empossado no governo, como se personificando a democracia. Ali, as pessoas também se inspiravam na história: do passado do revolucionário Simón Bolívar, e também no atual combate ao câncer de Chávez, motivo da sua ausência.
Em meio às diferenças que separam os dois países, havia diversas semelhanças, das expressões, paixões e sentimentos em seus habitantes.
Pessoas frágeis e esperançosas. Seres-humanos, como cada um de nós.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Caracas! Que fome...
Não sei se é a adrenalina ou a pura falta de tempo, mas quando estou na correria do trabalho, termino não sentindo muita fome. Às vezes ela até aparece, mas logo vai embora. Só que quando volta…
Foi mais ou menos o que ocorreu no último domingo. Local - Caracas. Motivo - cobertura das eleições presidenciais venezuelanas. Havia acordado cedo, percorrido a cidade atrás dos locais de votação, sido ameaçado por cidadãos (história para outro post), mandado o material pro Brasil e ainda aguardava a apuração do resultado. Eis que ela chegou.
Eram oito da noite. Havia terminado uma participação por telefone para o programa especial das eleições e ainda tinha alguns minutos antes da próxima entrada. Resolvi sair para comer algo. A minha ideia era ir a um fast-food, comprar um lanche e voltar para o Hotel.
Dois minutos de caminhada, e me deparei com portas fechadas. Não só de um, mas de vários fast-foods. Fui a um restaurante, nada. Tentei o bar da outra esquina, ninguém.
Voltei para o hotel, inconformado, e pedi ajuda à recepcionista. Ela me recomendou um restaurante que "certamente" estaria aberto. Andei três quarteirões, e constatei que nada é certo nesta vida. Na volta, vi a luz de uma pizzaria acesa. Meu estômago sorriu! Perto da porta, achei o local meio vazio. Estranhei. Cheguei mais perto e… um alarme disparou. Sim, eu era o responsável por todo aquele barulho.
Olhei em volta, nada de polícia - ufa! Estavam todos fazendo a segurança das eleições - ou procurando um lugar pra comer, sei lá. No hotel, questionei novamente a recepcionista, que me passou telefone de pizzarias. Liguei para todas, nada. No quarto, olhei o frigobar: bebidas alcoólica. 'Não", pensei. "Ainda tenho entradas ao vivo."
De volta às ruas, tentei o hotel do lado (já que o restaurante do meu hotel estava fechado). Dei sorte - a cozinha ia fechar em poucos minutos. Foi o tempo de prepararem dois sanduíches e uma sobremesa, enquanto, ali do lobby mesmo, eu atualizava os telespectadores sobre a expectativa da apuração. Voltei ao hotel.
Enquanto as emissoras venezuelanas noticiavam a vitória do socialismo, eu comemorava a minha batalha contra a fome, comendo ele, um dos símbolos do capitalismo norte-americano - um hambúrguer com batatas-fritas.
Foi mais ou menos o que ocorreu no último domingo. Local - Caracas. Motivo - cobertura das eleições presidenciais venezuelanas. Havia acordado cedo, percorrido a cidade atrás dos locais de votação, sido ameaçado por cidadãos (história para outro post), mandado o material pro Brasil e ainda aguardava a apuração do resultado. Eis que ela chegou.
Eram oito da noite. Havia terminado uma participação por telefone para o programa especial das eleições e ainda tinha alguns minutos antes da próxima entrada. Resolvi sair para comer algo. A minha ideia era ir a um fast-food, comprar um lanche e voltar para o Hotel.
Dois minutos de caminhada, e me deparei com portas fechadas. Não só de um, mas de vários fast-foods. Fui a um restaurante, nada. Tentei o bar da outra esquina, ninguém.
Voltei para o hotel, inconformado, e pedi ajuda à recepcionista. Ela me recomendou um restaurante que "certamente" estaria aberto. Andei três quarteirões, e constatei que nada é certo nesta vida. Na volta, vi a luz de uma pizzaria acesa. Meu estômago sorriu! Perto da porta, achei o local meio vazio. Estranhei. Cheguei mais perto e… um alarme disparou. Sim, eu era o responsável por todo aquele barulho.
Olhei em volta, nada de polícia - ufa! Estavam todos fazendo a segurança das eleições - ou procurando um lugar pra comer, sei lá. No hotel, questionei novamente a recepcionista, que me passou telefone de pizzarias. Liguei para todas, nada. No quarto, olhei o frigobar: bebidas alcoólica. 'Não", pensei. "Ainda tenho entradas ao vivo."
De volta às ruas, tentei o hotel do lado (já que o restaurante do meu hotel estava fechado). Dei sorte - a cozinha ia fechar em poucos minutos. Foi o tempo de prepararem dois sanduíches e uma sobremesa, enquanto, ali do lobby mesmo, eu atualizava os telespectadores sobre a expectativa da apuração. Voltei ao hotel.
Enquanto as emissoras venezuelanas noticiavam a vitória do socialismo, eu comemorava a minha batalha contra a fome, comendo ele, um dos símbolos do capitalismo norte-americano - um hambúrguer com batatas-fritas.
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