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quarta-feira, 19 de março de 2014

Sobre o Iroman e ferros de passar roupa...

Outro dia, andando na região de midtown, uma amiga e eu nos deparamos com a seguinte placa de carro: CITYMD, iniciais que querem dizer algo como "Médico da Cidade". Aqui no estado, os veículos podem ter placas personalizadas. Foi quando imaginamos qual seria a minha, e rapidinho chegamos a esta: IRONMAN.

A explicação está longe da cansativa prova que reúne corrida, natação e ciclismo, e mais perto de um ferro (iron) e uma tábua de passar… Motivo: eu passo minha roupa. Mais do que isso: eu gosto de passar a minha roupa. E não tenho vergonha de assumir este gosto peculiar.

Sempre que digo isso a alguém, recebo os mais diversos olhares: de reprovação, indignação, curiosidade… Em muitos casos, eles vêm seguidos de adjetivos, como perfeccionista, pão-duro e até louco - este último, com aquela sugestão implícita de que eu procure um tratamento o mais rápido possível.

A minha relação com o ferro de passar roupa começou cedo. Lembro da época de escola, com 4 anos, quando tive de levar uma camiseta para lavar e passar. Era uma atividade do Jardim da Infância, não sei bem com qual objetivo. Só sei que gostei daquilo!

Em casa, em São Paulo, minha mãe tem uma prancha de passar roupa, dessas parecidas com as usadas em lavanderias. Basta colocar a peça ali, esticada, e baixar a parte de cima para camisas e calças ficarem lisinhas. Gostava de brincar lá quando criança, com a máquina já desligada, claro,  sem oferecer perigo para minhas mãos.

Quando me mudei para Nova York, fiquei algumas semanas sem passar roupa. "Tudo sai da secadora praticamente passado, é só dar uma sacudida, dobrar e está pronto pra usar." Era isso que eu ouvia dos moradores daqui. Confesso que tentei, por um tempo, me adaptar a este estilo. Mas, sinceramente, os amassados continuavam por lá.

Então, aderi à moda - nada americana - de passar roupa. Calças, camisas, camisetas… E ao contrário do que muitos dizem, não considero perda de tempo. Consigo usar o ferro enquanto assisto aos telejornais, seriados, filmes ou ouço uma música.

Só não vou perder mais tempo explicando este meu gosto para as pessoas. Até porque, a partir de hoje, não direi mais que passo roupa, e sim que pratico Ironman!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Pulga, o Percevejo e a Paranoia

Aquela era a primeira noite na minha própria cama em Nova York. Havia ficado uma semana dormindo no chão, no apartamento recém-alugado, e agora, finalmente teria um pouco de conforto. Dormiria feito um bebê, certo? Errado! Passei longas horas acordando constantemente, usando meu celular como uma lanterna em busca deles, os temidos percevejos.

A neurose tinha um motivo. Antes de me mudar para cá, entre tantos conselhos recebidos, o de um amigo ficou na minha mente: "Toma cuidado com os bed bugs (percevejos), a cidade é infestada deles". Foi o suficiente para o jornalista aqui fazer uma pesquisa sobre o tema.

Realmente, era assustador. Existe até um site com um mapa mostrando prédios e apartamentos onde já houve infestação, além de estatística dos bairros mais "perigosos",  fotos de impacto e relatos minuciosos. Resultado: estava instalada a paranoia.

A minha noite parecia inspirada na música "A Festa dos Insetos", cujos versos dizem "torce, retorce, procuro mas não vejo. Não sei se era a pulga ou se era o percevejo". Procurei e não encontrei nada, mas claro que passei o dia seguinte me coçando. Comprei um inseticida específico para o problema. Borrifei no apartamento inteiro. E só fui me convencer de que tudo não passava de paranoia depois de uma semana.

Aprendi a lição? Óbvio que não. Semana passada, percebi duas picadas no meu corpo. E novamente pensei neles, os bed bugs. Tirei o colchão do lugar, troquei a roupa de cama, passei aspirador em todos os cantos, quase fiquei sufocado de tanto inseticida. Fiz nova busca na internet, e encontrei os mesmos resultados assustadores. Liguei para o Brasil, e compartilhei minha suspeita com minha mãe e minha irmã (família unida, paranoia unida).

Elas tentaram me acalmar, mas só fui sossegar mesmo depois de conversar com uma amiga, também meio neurótica, e que já teve problemas com percevejos. "As picadas estão perto uma da outra?" Não, uma era no lado esquerdo do peito, a outra, no cotovelo direito. "Foram no mesmo dia?" Não, tinham uma semana de distância. "Não deve ser bed bug, mas dorme mais dois dias na cama pra ter certeza. Se não for picado, está tudo ok."

Agora, quatro dias depois (óbvio que iria esperar mais do que o recomendado), posso voltar a dormir tranquilo.  Sei que na minha casa eles não estão. Mas não paro de pensar que os temidos insetos continuam lá fora, espalhados pela cidade. Na companhia de ratos! Ah, os ratos... Bem, essa paranoia é assunto para outro texto.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A caixa e o sexo

Quem conhece o romance Tieta, de Jorge Amado, certamente se lembra do mistério envolvendo a caixa que a personagem Perpétua guardava no armário - e que atiçava a curiosidade dos moradores de Santana do Agreste.

Pois bem, semana passada foi a vez de Nova York ganhar um mistério parecido. Uma outra caixa, maior que a da ficção, mexeu com a imaginação das mais variadas pessoas. Qual o segredo escondido lá? O sexo do bebê Araújo.

Deixe-me explicar a história. Um casal de amigos está esperando o 2o filho. Quando grávidos do 1o, aguardaram o parto para descobrir que era um menino. Durante a gravidez, a cada ultrassom os dois ganhavam um torcicolo de tanto virar o pescoço na hora em que o sexo estaria evidente no monitor.

Desta vez, não aguentaram esperar. E decidiram compartilhar a informação numa "festa de revelação do sexo". Alguém mais desavisado - como chegou a ocorrer - poderia imaginar que se tratava de uma reunião, digamos, contra a moral e os bons costumes. Uma festa de nudismo, quem sabe. Ou até mesmo a oportunidade de um enrustido sair do armário e se revelar ao mundo.

Mas a festa - novidade para mim e para muitos ali presentes - era o momento em que todos, inclusive os pais, ficariam sabendo qual o sexo do bebê. Para isso, um balão, azul ou rosa, sairia de uma enorme caixa no momento em que ela fosse aberta pelo outro filho do casal.

O exame de ultrassom foi entregue na 4a-feira para uma amiga. E claro  que não faltaram curiosos querendo arrancar dela o resultado - inclusive eu! Mandei diretas e indiretas por email, facebook e whatsapp. Pessoalmente, fiquei durante três horas, num jantar, procurando arrancar um ato falho. E a única coisa que descobri é que não sou um bom jornalista investigativo...

No sábado, na casa dos anfitriões, os convidados estavam divididos:  uns usavam roupa rosa, outros, azul. Mas também havia quem preferisse o laranja ou o verde com bolinhas brancas, talvez por causa de um daltonismo ou por achar que o bebê apareceria na foto com a perna cruzada.

No momento tão esperado, a enorme caixa foi aberta. Dela, saíram balões brancos, amarelos e o revelador azul. Tal como aquela cobrança decisiva de pênalti, houve muita comemoração, e também alguns rostos mais frustrados. 

Pelo menos o conteúdo desta caixa não escandalizou os convidados, tal como ocorreria se fosse aberta a de Perpétua. Se você ainda não se lembrou do que havia lá, melhor fazer uma busca na internet - afinal, este blog ainda respeita os bons costumes...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Com que roupa eu vou - episódio de hoje: a praia

Long Beach, em Nova York
Praia cheia, sol forte e aquela vontade de mandar o bronzeado-escritório para longe. Tirei a camiseta, guardei a bermuda e rapidamente passei  a ser alvo de olhares. Muitos deles! Não era por causa do meu físico - que já combinou comigo que só  irá ficar em forma  para o verão 2014, e olhe lá! A culpada era a sunga.

A cena acima aconteceu no ano passado. E confesso que demorei algum tempo para acreditar que uma peça de roupa de banho pudesse ter causado tanto alvoroço. Só tive a confirmação quando duas amigas que moram há alguns anos em Nova York disseram que americano não usa sunga.

Agora, com a chegada do calor, pude confirmar: não há sunga nas lojas. Há muitos shorts, bermudões, uns calções que parecem ter saído dos catálogos de moda dos anos 50, mas nada de sunga. Tanto é que tive de pedir para minha irmã mandar uma para mim, do Brasil, de aniversário.

E neste final de semana, lá fui eu à praia estrear a minha roupa de banho nova, mesmo após minhas amigas dizerem que fatalmente os americanos iriam pensar que eu sou gay - de acordo com as duas, apenas eles usam sunga.

Cheguei à praia, tirei a bermuda, e a cena se repetiu: fui alvo de diversos olhares. Pois é, nada de encararem o homem de calça jeans e camiseta estirado na areia, o outro de bermuda de sarja, cinto e camisa de manga longa ou a mulher de maiô com bolinhas e um baita coração estampado no meio da barriga. O alvo eram os brasileiros de sunga.

Não tenho problemas com o que os outros deixam ou não de pensar sobre mim. Mas, por via das dúvidas, sempre estava acompanhado de uma das amigas pela areia... A exceção foi quando meu amigo pediu para eu tirar fotos dele para mandar à futura namorada no Brasil. Praticamente um book, uma versão masculina da garota do Fantástico!

Imagine a cena: ele, de sunga, na beira do mar, fazendo um coração com as mãos, enquanto eu, também de sunga, cuidava dos cliques com a máquina. Me agachava, dobrava as pernas, mexia os braços, na tentativa de  pegar o melhor ângulo. E ele lá, com as mais diversas caras e bocas. Bem, nessa hora, ignorei qualquer olhar... e também nem quis saber o que se passou na cabeça dos americanos.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sobre antibióticos e testes de inglês

A pizza daquela noite ficou conversando comigo durante toda a madrugada. E no dia seguinte, ainda estava lá, espalhada pelo meu sistema digestivo. Dores fortes, entre outros sintomas, me obrigaram a acionar o seguro internacional pela primeira vez. Liguei, e do outro lado, a atendente perguntou:

"Você poderia descrever o que está sentindo?"

Eu, em posição fetal, de tanta dor, deitado na cama, tive de descrever, em inglês, exatamente o que acontecia - tarefa fácil! E ela ainda questionava os mais diversos detalhes. Foram uns quinze minutos de conversa, antes de receber o endereço do ambulatório. Melhor do que qualquer teste para conseguir um certificado de proficiência da Universidade de Cambridge...

Enquanto me trocava, outra preocupação - sou alérgico a um antibiótico. E como tudo indicava que eu estava com infecção alimentar, o médico fatalmente me prescreveria um. E aí, qual o nome de tal medicamento?

Antes de me mudar para cá, minha prima-médica escreveu em um receituário o nome do princípio ativo. O problema é que eu não lembrava onde estava o papel. E não é muito fácil fazer buscas pela casa estando em posição fetal - por mais que eu more em um micro-estúdio.

Armário aberto; roupas, documentos e papéis no chão; estômago e intestino doendo; tempo passando, e nada de encontrá-lo. Eis que me lembro do contexto em que ele foi escrito. 06/09/2011, 24 horas antes da mudança, minhas duas primas foram em casa se despedir de mim. Pedi à doutora uma receita com os remédios que ia levar, para não ter problemas na alfândega. E ela me sugeriu fazer uma outra com o tal antibiótico.

No papel, o nome do medicamento tinha letras garrafais. Peguei a folha na mão, e brincamos - "se eu passar mal, sem conseguir falar, tiro o papel do bolso e mostro pra alguém". Aí uma delas comentou - "e se pensarem que é pra te dar este remédio, em vez de não te dar?" Caímos na risada, com elas imaginando o primo tendo uma terrível reação alérgica - humor negro total!

Voltando ao meu apartamento, lá estava eu no chão, em posição fetal, com dor, agora rindo da história do remédio - ou seja, contraindo ainda mais a barriga e piorando a cólica. Mas pelo menos lembrei: "Sulfa! No sulfa! For God sake, no sulfa!"

O nome agora está gravado na memória, e foi útil nas outras duas vezes em que fui ao médico aqui. Assim como a maneira de descrever o que sinto, em inglês fluente. E fica a dica para os professores de idioma no Brasil: da próxima vez que algum aluno tentar faltar na prova, dizendo que está doente, não deixe. Aplique o teste nas piores condições, um dia ele irá agradecê-lo!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Aquela piscadinha

A brincadeira é simples. Primeiro, é feito um sorteio, com papéis, para ver quem vai ser o detetive, o assasino e as vítimas. Aí, sentados em círculo, o objetivo do assassino é matar as vítimas sem ser descoberto. A "arma" dele: piscar o olho.

Sempre brincava disso quando criança, e sempre ficava tenso na hora do sorteio. Não queria ser o assassino, de jeito nenhum! Não por motivos nobres ou humanitários, mas por outro - não consigo piscar com um olho só.

Parece ridículo, mas é a mais pura verdade. E, depois de anos, o assunto voltou à tona na última semana, em um bar, aqui em Nova York. Contava para uma amiga sobre a cirurgia de miopia que fiz, em apenas um olho. Ou seja, ainda sou míope no lado esquerdo. Aí, ela, que também é míope, disse que se fosse operar uma vista só, teria de ser a direita, já que só consegue piscar do outro lado. Foi quando confessei que não pisco de lado algum!

Uma outra amiga, aniversariante do dia, que ouvia a história, se juntou à conversa, e as duas questionaram como eu fazia para paquerar, já que meus músculos ao redor dos olhos, obviamente, não funcionam como deveriam. Silêncio constrangedor... Minha humilhação ficou ainda maior quando um amigo - que, segundo as duas, "transpira testosterona" - se aproximou e demonstrou a facilidade que tem em piscar um olho de cada vez, quantas vezes quisesse.

E não parou por aí! Para acabar totalmente com a minha auto-estima, a amiga míope soltou a seguinte pérola: "Ele não deve piscar por causa de tanto botox que tem no rosto, esse povo da TV usa botox em tudo, paralisa os músculos."

Não, antes que você me pergunte, eu não uso nem nunca usei botox. E, a partir de hoje, não irei dizer que não sei piscar. Falarei apenas que não o faço por motivos nobres e humanitários - e explicarei a brincadeira do detetive. Afinal, se a piscadinha pode ser usada como uma arma letal em um jogo infantil, melhor não estimulá-la!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sobre o mal-estar de cada dia

Três e meia da manhã de uma sexta-feira, em Williamsburg, no Brooklyn. Saída da balada, lua brilhando num céu encoberto por nuvens, com uma fina garoa. Romantismo puro! Minha amiga se agachou na saída do bar, em silêncio, como se fosse apreciar o clima... só que colocou para fora toda a comida tailandesa do jantar.

"Vão pensar que eu bebi todas", disse. Realmente, àquela hora, naquele local, não haveria outra possibilidade. A mim, só restava perguntar se ela estava bem e oferecer um lenço de papel. Além de relembrar outras histórias parecidas.

A próxima cena ocorreu em uma reportagem que fiz quando ainda era foca. Ônibus lotado de estudantes de dez anos, indo para o cinema pela primeira vez. Janelas fechadas, ambiente abafado, e em quinze minutos já havia uma criança vomitando. Na sequência, outra avisa à professora que mais dois colegas estão em vias de repetir o gesto, quase num efeito dominó.

E é sempre assim que ocorre. Basta um começar e logo os outros se sentem mal. Por isso, a melhor opção é sempre se isolar, para não haver "contaminação". Foi o que fiz no mês passado, quando fui a vítima do mal-estar, em Caracas.

Havia jantado com uns amigos na noite anterior da posse presidencial. Nas últimas garfadas, notei que havia algo errado. E às quatro da manhã, meu estômago confirmou o pressentimento.  Lá fui eu conversar com o vaso sanitário. Tive tempo de observar as sujeiras que ficam fora do alcance da camareira e de pensar em alternativas para a minha cobertura para dali a algumas horas. Afinal, nada pode ser considerado tempo perdido!

E para encerrar o texto, antes que você, leitor, entre neste "efeito dominó", uma história ocorrida há algumas semanas, de uma outra amiga que também passou mal no final da balada - mas, esta sim, porque havia bebido todas.

Entre uma cantoria e outra no karaokê, ela se isolou no banheiro para "limpar" o estômago. E meu amigo, que estava de olho nela, ao saber do que ocorria, logo desistiu de tomar qualquer iniciativa. Afinal, há coisas que nem o romantismo da lua e nem um halls extra-forte resolvem...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Esse tal de carpete...

O chão brilhava conforme o sol entrava pela janela, no final da tarde. Madeira nova, encerada. E que em breve teria de ser escondida. No contrato de aluguel do meu apartamento, há uma cláusula de que 70% do chão deve ser coberto por tapete.

Essa obrigação serve para exemplificar como os americanos gostam de um tapete ou, principalmente, de carpetes. Talvez por causa do rigoroso inverno, ou simplesmente por uma questão de gosto duvidoso. Digo isso porque a tapeçaria aparece nos lugares mais improváveis.

Um deles é a academia. No vestiário. Junto com os armários, próximo aos chuveiros. Imagine acabar de tomar banho, sair pingando e se deparar com um carpete! Vamos combinar que não é a melhor opção de piso, basta ver a umidade que fica nele no final do dia.

Outro local ainda mais inusitado em que encontramos esta mania americana é no metrô. Não no de Nova York, mas no de Washington D.C. Já disse em um texto anterior como as linhas subterrâneas lá são sombrias, à meia-luz, algo sinistro mesmo. E que fica mais estranho ao pisarmos no tal carpete dentro do vagão. Dentro do vagão! Como diz uma amiga minha, o que será daquilo em um dia de chuva, ou pior, de neve. Pelo menos na academia os pés molhados estão limpos…

Para encerrar, só mais um exemplo: os corredores do meu prédio. Da entrada até a porta de casa, lá está ele, o carpete azulado, que parece ter a mesma idade do edifício - mais de cem anos. Isso não é o problema. O pior é a "surpresa" que me aguarda toda vez que vou sair para a rua. Quem se lembra daquelas experiências da escola, com uma tal de estática? Pois é… Basta colocar a mão na maçaneta que lá vem o choque de poucos volts, mas que sempre me faz xingar quem lançou esta moda americana.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Oi, tudo bem?

A pergunta é simples… e me chamou a atenção quando me mudei para Nova York. Em qualquer local que se vá, você é recepcionado com um "Hi, how are you?". Simpático, achei. Não estava acostumado a isso. Estas palavras, quando ditas no momento certo, podem mudar seu dia.

Digo momento certo porque às vezes elas aparecem nas piores ocasiões. Tanto no velório quanto na missa de sétimo dia do meu pai, conhecidos vieram falar comigo e logo soltaram esta pergunta. Talvez por ligarem o "botão automático". Alguns se tocaram que, óbvio, não, eu não estava bem. Outros nem perceberam a gafe.

Agora, a resposta… bem, isto é um caso à parte. No dia-a-dia, a pergunta é feita mais por educação, e a resposta esperada é um "Vou bem, e você?". Mas sempre há aquela pessoa que pensa que o outro realmente está interessado em saber os mínimos detalhes dos acontecimentos da sua vida, e solta um: "Nossa, estou mal", paa depois começar a despejar os problemas. Veja bem, há momentos e momentos para isso.

Aqui nos Estados Unidos, muitos costumam responder com um "Não tão mal." O que, a princípio, me soou estranho. Uma amiga que morou na Austrália disse que lá ouvia a mesma resposta, e achava meio depressivo. Mas, analisando um pouco, tratam-se de palavras  honestas. Afinal, dificilmente alguém está 100% bem. E ao dizer "Não tão mal", você afirma que tem, sim, problemas, mas que estes poderiam ser piores. E ponto.

Seria esta a resposta perfeita? Ainda não. A resposta perfeita para a pergunta do título está em uma música da banda Garotos Podres, que recebi por e-mail esta semana. Compartilho o vídeo com vocês. A ideia é genial…

http://www.youtube.com/watch?v=nnhbRJxJrJY


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Do desespero à alegria em poucas estações

Desesperada, a mulher passava o cartão pelo leitor, e a catraca continuava imóvel. Nova tentativa, e  nada. O metrô já estava quase fechando as portas, e ela gritava para alguém esperá-la. Finalmente, conseguiu passar, e correu para dentro do vagão. Sentou-se na minha frente. Não havia ninguém a sua espera.

A senhora devia ter cerca de 50 anos. Cabelos loiros, compridos. Usava um casaco pesado de inverno por cima de uma saia e uma camisa. No colo, uma bolsa, bem grande. Ela abriu a bolsa, tirou um iogurte, colocou-o no banco ao lado e disse para ele: "Fique aí". De lá também saíram um sanduíche, que ficou quietinho ao lado do iogurte, e uma escova de cabelo.

Agora de pé, ela se posicionou na frente do vidro, tirou o casaco, e também deu ordens para ele não sair do lugar. Jogou os cabelos para a frente, para trás… Pegou a escova e começou a pentear o cabelo. "Assim está melhor", comentou consigo mesma. Pôs novamente o casaco e sentou-se.

O sanduíche e o iogurte, obedientes, passaram para as mãos dela, e de lá para a boca. A cada mordida em um, um gole no outro. Provavelmente, pelo horário, deveria ser o café da manhã. Entre três estações da linha verde do metrô de Nova York, os dois tiveram o destino que já era esperado.

As duas embalagens vazias foram para dentro de um saco de papel. A senhora olhou para os dois lados, amassou bem o lixo e o jogou embaixo do banco. O desespero inicial, de quando a vi na catraca, agora dava lugar a uma tranquilidade e a um semblante feliz… E foi assim que ela começou a cantar.

Minha estação chegou. Desci do vagão, dei três passos e virei para trás. Observei aquela cantoria, aquela felicidade inexplicável. As portas se fecharam, o trem ganhou velocidade, sumiu nos túneis escuros. E eu comecei a imaginar se um dia conseguirei ter uma alegria despreocupada como aquela.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Com vocês, a Emily

Acordei às sete horas da manhã, e segui minha rotina. Liguei a televisão, preparei o café-da-manhã e fui ler, na internet, os jornais e sites daqui e do Brasil. Foi quando bati o olho na notícia da morte do cantor Wando. Por impulso, fui no youtube, digitei "Fogo e Paixão" e me perdi entre raios, estrelas e luares. Aí lembrei da Emily…

O prédio onde moro é pequeno, são cinco andares, quatro apartamentos em cada um: dois de frente e dois de fundo. Logo, só tenho uma vizinha de parede: a Emily. A gente se conheceu assim que me mudei. Estava eu em casa quando tocou o interfone. Era a antiga moradora, querendo ver se havia cartas para ela. Abri o portão. Um minuto depois, ela bateu na porta: precisava da chave da caixa do correio. E eis quem também abre a porta: a Emily. Detalhe: eu estava só de cueca e roupão, afinal, não esperava "visitas".

Mas, não foi por isso que eu me lembrei dela ao ouvir o Wando. E sim porque eu sempre penso se ela me acha meio louco. Vamos aos detalhes…

25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Para celebrar a data, resolvi ouvir algumas músicas de Adoniran Barbosa. E dá-lhe "Saudosa Maloca", "Trem das Onze" e "Tiro ao Álvaro" desde a madrugada.

Todos os dias, faço exercícios para a voz, passados pela fonoaudióloga da TV. E dá-lhe "Triiiiiimmmmmm, triiiiiimmmmmm, triiiiiimmmmmm", "Ommmmmmmmmmmmm", "vuuuuuuuuuuuu, vuuuuuuuuuuuu",  além de sons guturais impossíveis de reproduzir no papel.

Além disso, sempre leio os textos das minhas reportagens em voz alta, conforme escrevo. E como costumo escrever, apagar, mudar algo e escrever novamente, leio tudo isso muitas e muitas vezes. E dá-lhe "O presidente dos EUA", "Barack Obama", "O presidente americano".

Outro dia, a gente se encontrou no corredor, e eu toquei no assunto. Perguntei: "Você deve me ouvir muitas vezes falando sozinho, né?" Já havia falado em outra ocasião que era repórter, e reforcei que este era o motivo do falatório e de qualquer tipo de barulho estranho. Não sei se colou, mas pelo menos tentei justificar a minha aparente loucura…

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Perdidos na cidade

A pequena tartaruga, no seu antigo "lar"
As perninhas pequenas nem se procupavam em acelerar o passo. O que elas estavam fazendo era tão improvável que ninguém se atreveria a procurá-las tão cedo. E assim, aquela minúscula tartaruga fugia, tranquilamente, do Inwood Hill Park, quase invisível em plena ilha de Manhattan.

Não sei bem se foi desta maneira que aconteceu, mas é como imagino que este ser indefeso tenha escapado de seu aquário. A noticia foi destaque nos principais noticiários locais. Mobilizou diversos funcionários, todos à caça da pobre fugitiva.

Na cidade onde as pessoas mal olham para o lado, prestar atenção no que esta abaixo de nós é ainda mais complicado. Pés e pernas se multiplicam em meio às ruas numeradas, em uma equação quase infinita. O vai-e-vem incansável sufoca, enlouquece… mas também vicia. Estranhamente, vicia.

Bastaram três meses para eu sentir esta química. Meu corpo hoje procura o ritmo acelerado de Nova York. Quer pulsar tal qual o sangue que percorre os pés e as pernas de quem anda por aqui. Não se cansa, só se alimenta desta rotina. Perde-se na metrópole, e não quer ser encontrado.

O mesmo deve ter ocorrido com a pequena tartaruga. Uma vez em liberdade, fatalmente se espantou, se admirou e logo se apaixonou por Nova York. Na sua velocidade, de cerca de cem metros por hora, conseguiu vencer os obstáculos, e ganhar a cidade. É a Little Turtle na Big Apple.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Inversão de papéis

Sou uma pessoa observadora. Agora, no outono, às vezes passo horas olhando pela janela, admirando a árvore no fundo do meu apartamento perder as folhas, conforme o vento sopra entre os seus galhos. É como se cada uma que caísse tivesse uma história diferente, e fico imaginando qual será o destino dela.

O mesmo acontece quando ando pela cidade. Olhar a feição no rosto dos desconhecidos e tentar descobrir algo da vida deles é um passatempo interessante. Nem preciso saber se estou certo ou errado, apenas invento histórias e brinco com elas na minha mente.

Outro dia fiz exatamente isso no metrô aqui em Nova York. Havia acabado de gravar a manifestação em Wall Street, e voltava para casa. Peguei a linha 4, expressa, que vai de downtown ao Upper East Side em uns vinte minutos. Vagão ainda vazio, me sentei. Logo em seguida, entrou um casal de idosos. Me levantei, e deixei a senhora se sentar no meu lugar.

Mais uma estação, e o marido dela se sentou ao lado. Olhei para os dois e comecei a pensar qual era o passado deles, há quanto tempo estavam juntos, se haviam morado sempre na cidade. E reparei que o senhor estava me observando. Eu desviava o olhar, voltava e lá estava ele, fazendo a mesma coisa. Me olhava com o canto de olho, disfarçava, pra depois voltar a me encarar.

Em alguns minutos cheguei à minha estação - que era a deles também. Os dois se levantaram, e a senhora me agradeceu novamente por tê-la deixado se sentar. Eis que o marido virou para mim e falou: "Sabe o que eu gosto de fazer quando ando de metrô? Observar as pessoas e imaginar a história delas." De cara, me disse: "Você é um jornalista de TV. Eu sei porque da cintura pra baixo está de calça jeans, e em cima, com blazer, camisa e gravata. Esta mala que está levando tem o seu equipamento de trabalho."

Fiquei tão impressionado que nem cheguei a comentar que eu fazia a mesma coisa. Só confirmei que ele estava certo, e, admirado, dei os parabéns. Rapidamente os dois se perderam na multidão. Meus olhos voltaram a procurar outras histórias. Mas minha mente continuou fixa naquela.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"Meu Deus, estou aqui?"


Pouco minutos para a meia-noite um frio de quase zero grau, e eu nas ruas de Nova York. Em frente à Macy's, uma das maiores e mais tradicionais lojas do mundo. A carteira estava bem guardada no bolso. Nas minhas mãos, somente a câmera, para fazer a matéria do Black Friday, a mega liquidação americana.

Entrei na loja poucos minutos antes de abrirem as portas. E pensei: "Meu Deus, estou aqui." Por mais que já tenha alguns anos de profissão (melhor não entrar em detalhes de idade), de vez em quando ainda me pego admirado por estar em certos lugares, em certas situações.

Uma das primeiras vez que isso aconteceu foi no 7 de setembro de 2001. Recém-formado, fui fazer uma matéria no Sambódromo de São Paulo, para o curso de jornalismo do Estadão. Minha irmã e meu cunhado foram juntos, para ver o desfile. No meio da manhã, ela me ligou - tinha conseguido entrar na área VIP, num camarote. Me perguntou onde eu estava. "Ao lado do governador", respondi.

Todo foca passa por isso. Confesso que senti um certo orgulho profissional. Depois do governador vieram vários outros políticos. E cada vez que consigo um mais, digamos, importante, volto a sentir este gostinho. Este ano, dez anos depois daquele setembro, lá estava eu, na sede da ONU em NY, a poucos metros de distância do Barack Obama. E mais uma vez, pensei: "Meu Deus, estou aqui".

Uma das minhas coberturas mais marcantes foi a 1a viagem internacional. O destino: Salzburgo, na Áustria (foto acima). Um lugar que tem um significado especial para mim, por causa da minha mãe. Ela é apaixonada pelo filme A Noviça Rebelde, que se passa justamente nesta cidade. O mais curioso: voltei de viagem justamente no dia do aniversário dela. É claro, com várias lembranças na sacola e muitas fotos para mostrar. Até hoje, revejo o filme, reconheço os cenários, e não acredito que estive lá.

E voltando à matéria do Black Friday... Depois de terminada a maratona da madrugada, lá estava eu, na Macy's, com a carteira no bolso e a câmera na mão. Hora de inverter as posições. Coloquei a carteira na mão, a câmera na mochila (meu bolso não é tão grande assim), e fui às compras. Afinal, se é pra ficar encantado por estar num lugar destes, melhor deixar o encantamento ficar completo!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Com o pé no asfalto

O programa deste fim-de-semana foi fazer compras. Ou melhor, acompanhar dois amigos que estão de férias aqui irem às compras, em outlets fora da cidade. Entre pagarmos 40 dólares cada em um ônibus e 150 os três no aluguel de um carro, ficamos com a segunda opção.

A aventura começou para pegarmos o veículo. Um aluguel em NY custa o dobro de New Jersey, estado vizinho, do outro lado do rio Hudson. Logo, escolhemos fechar negócio por lá. Bastaria um metrô e um trem, e em 30 minutos chegaríamos à locadora. É claro que não chegamos! Aos sábados  o serviço funciona mais devagar, assim como nossos neurônios… Entre esperar o trem e se perder nos subterrâneos da cidade, chegamos pontualmente com uma hora de atraso!

Já no carro, hora de ligar o GPS. Não alugamos um, porque meu celular tem este serviço. Sempre confiro o mapa por lá pra saber onde estou. Só que nunca reparei que pra sincronizar o mapa com o GPS, ou seja, com aquela voz indicando o caminho, era preciso baixar um outro aplicativo. Logo, lá estávamos nós, no meio da estrada, sem orientação. A solução foi recorrer ao Santo Google… E chegamos bem, obrigado.

Domingo, GPS já funcionando, día de ir um pouco mais longe, no norte de NY. Estrada belíssima, ao longo do rio Hudson.  O colorido amarelado-avermelhado das árvores do outono é simplesmente fantástico. Só que no meio do caminho, o que chamou a atenção do meu amigo (são-paulino, por sinal) foi outra coisa: os veados. Não me entendam mal… realmente havia placas indicando a presença dos animais na pista. E logo eles surgiram, mortos, na beira da estrada. Como ele estava dirigindo o carro, atenção redobrada pra não atropelar um.

Já a minha amiga ficou encantada com os xerifes. Os policias nas estradas parecem saídos de filmes, usam aqueles chapéus tradicionais das telinhas. E claro, ela ficou louca para ser parada por um deles, agarrar, tirar foto… Queria porque queria que fôssemos além do limite de velocidade. Não seria nada anormal, já que praticamente todos os outros carros estavam dirigindo muito mais rápido do que a indicação das placas. Mas, ser parado pela polícia em outro país realmente não estava nos meus planos.

A aventura terminou com nós três, exaustos, passeando por Manhattan de carro à noite. Sem destino. Apenas com as janelas abertas, apesar do frio, para "curtir o clima da cidade". Um passeio, aliás, que eu recomendo para qualquer turista.

domingo, 30 de outubro de 2011

A saga do apartamento - 2


No ultimo texto, prometi que agora falaria da montagem dos móveis. Mas, me pediram para contar primeiro sobre como encontrei apartamento aqui em Nova York. Então, atendendo a pedidos, eis a história.

Por mais que tenha pesquisado ainda em SP, só estando em NYC foi possível entender como funciona o mercado imobiliário daqui. Apartamentos como o que aparece em filmes e seriados, por exemplo, até existem. O que não existe é dinheiro na minha conta bancária para bancá-los! Os preços do aluguel são absurdos, ainda mais na ilha de Manhattan. Um dos metros quadrados mais caros do mundo!

Aqui, entendi por que nos anúncios que via ainda em SP era usada a expressão "pre-war". Os prédios, na maioria, são bem antigos. Foram construídos antes da 1a Guerra Mundial. E muitos parecem verdadeiros sobreviventes de guerra: mal-conservados, quase a ponto de demolição… só o preço não ficou parado no tempo!

Ainda sobre os anúncios, são inúmeros os itens a serem observados. Além do pre-war, há a laundry (lavanderia no próprio prédio, em geral no subsolo); walk-up or elevator building (escada ou elevador); broker fee (taxa do corretor), face norte ou sul… enfim, complicado.

Agora, soma-se a isto o fato de ser um estrangeiro com emprego no Brasil! Sem fiador, sem conta no banco, sem histórico de crédito, sem documento dos EUA. Aí sim fica praticamente impossível. Ouvia um não atrás do outro. Alguns lugares nem me davam a chance de ver o apartamento, eu já era descartado de cara!

Como consegui arranjar um lugar pra morar, então? Bem, como disse uma amiga minha assim que eu comecei a procurar apartamento aqui, tudo é questão de pensamento positivo! Era um domingo, final de tarde. Um corretor me ligou pra ver um imóvel. Já havia deixado recado pra tantos que nem lembrava mais qual era! Cheguei ao local, vi o studio em menos de dois minutos (aqui não temos tempo para ficar admirando o apartamento), e disse: é esse que eu quero. Meio que paixão à primeira vista.

Expliquei ao corretor que era estrangeiro, que não tinha comprovante de nada. Propus pagar um depósito mais alto (um valor que fica numa conta bancária e é devolvido no final do contrato, só como garantia caso ocorra algo). No dia seguinte, a notícia: havia sido aceito pelo dono do apartamento! Foi quase como passar num vestibular…

Aí, duas semanas depois me mudei com um colchão inflável, comprei os móveis… e no próximo texto prometo contar como foi a montagem.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O mega trabalho de mobiliar o apartamento - parte 1

"Se prepare, porque dá um mega trabalho." Foi deste jeito que uma amiga minha me animou a ir numa loja no Brooklyn comprar os móveis pro meu apartamento. Depois de uma semana tendo como única mobília um colchão inflável, já era hora de me mexer!

A loja é gigante, tem tudo quanto é coisa para casa. Ao entrar, você ganha um bloco de anotações e um lápis. Aí começa o tal trabalho… É preciso ir ao andar superior, no showroom, escolher os móveis. Cada um tem um código que deve ser anotado naquele bloco. Mas alguns têm mais de um código. Exemplo: a mesa tem um para a parte de cima e outro para os pés…

Meio complicado, mas segui em frente. Depois de três horas e meia rodando, mandando sms pra minha prima arquiteta (que fez o projeto do meu apê) e telefonando pra minha irmã (pra me ajudar nas decisões), escolhi o que levar. Aí sim a coisa complicou!

Fui para o andar de baixo, onde se deve pegar os móveis. Sim, é preciso literalmente pegá-los! Nas prateleiras, como se fossem compras de supermercado!!! Por mais que você mande entregar tudo em casa, é seu dever passar com a parafernália pelo caixa. Ou seja, não havia escapatória...

A 1a tarefa foi colocar a cama queen size naquele carrinho small size. Três caixas - pesadas -,um pedaço de metal que só fui entender pra que servia dois dias depois, e, óbvio, o colchão. Uma pilha de coisas quase caindo do carrinho, bloqueando toda a minha visão! Deixei tudo perto do caixa e continuei as compras.

Com o outro carrinho, segui o restante dos códigos que havia anotado - tem um para a fileira, outro para a prateleira e um terceiro para o produto, afinal, impossível identificar aquele lindo sofá dividido em três caixas. Mais pilhas de parafernálias, mais equilíbrio para não derrubar tudo, fui para o caixa.

Depois de pagar, ainda tive de empurrar os dois carrinhos para o setor de entrega. Sorte que contei com a simpatia dos americanos para ajudar a empurrá-los - sem ironia, eles são bem prestativos. Combinado o horário de entrega, perguntei quanto sairia para eles montarem tudo. Caro, beeeem caro! E eis que o próprio homem que monta me disse: "Mas isso é fácil, você mesmo monta e economiza esta grana". Acatei a sugestão! E o mega trabalho estava só começando… No próximo texto eu continuo!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A saga do apartamento

A rua estava meio deserta. O prédio era muito mal conservado. Havia meia dúzia de gente na porta. E eu me juntei ao bando.

Tinha visto o anúncio do apartamento no Craigslist. Era no finalzinho do Upper West Side, já perto do Harlem. Preço atrativo, marquei um horário com o corretor. Lá na porta, liguei novamente para ele, que me disse estar a caminho.

Enquanto eu observava o prédio, um senhor veio perguntar se eu havia esquecido a chave da porta. Expliquei que não, que esperava o corretor. Aí ele perguntou novamente - desta vez em espanhol - se eu havia esquecido a chave da porta. E eu respondi de novo - em inglês - que esperava o corretor para ver o apartamento. Mais uma vez, ele insistiu em conversar em espanhol, e eu, teimoso, respondi em inglês. O resultado: ele abriu aporta do prédio para eu entrar.

Se eu já estava meio desconfiado da segurança do lugar, agora não tinha mais dúvidas. Como aquela pessoa, que provavelmente era o zelador, permitia a entrada de qualquer um? Bem, me desliguei do bando e liguei pro corretor, dizendo que já estava lá dentro. "Estou a caminho", respondeu, mais uma vez.

Dez minutos, a porta do prédio se abriu, entrou um homem de terno sem a gravata, camisa pra fora da calça e boné. Era o corretor! Atrás dele veio o bando de gente -- a esta altura, deviam ser uns dez. Todos juntos na escada, ele falou rapidamente que iríamos ver o apartamento de dois dormitórios. Subimos até o quinto andar, ele abriu a porta e fizemos o "tour" de 20 segundos pelo local! Não deu tempo de abrir armários, ver banheiro, nada. Fila indiana, mudos, do jeito que entramos, saímos de lá.

Novamente na porta do prédio, o corretor disse que iria nos levar para ver outro apartamento ali perto. A fila indiana prosseguiu, com uma pessoa a menos. Peguei o caminho oposto e fui embora. Pois é, procurar um lugar pra morar aqui em Nova York realmente é uma aventura! Em breve, outras histórias...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Está perdido? Lembre-se da galinha azul!


Quem viveu nos anos 80 no Brasil provavelmente se lembra da "Dança da Galinha Azul", de uma famosa marca de temperos. E muito provavelmente deve ter rebolado ao som de tal hit, presença certa nos palcos do programa do Gugu e companhia. O que poucos devem saber é o quanto esta música contagiante pode ser útil para quem se muda pra Nova York.

Deixe-me explicar. Em Manhattan, tudo se localiza conforme os pontos cardeais. A 5a avenida divide a ilha entre leste (E) e oeste (W). De cima a baixo, a divisão é entre Upper (norte), Midtown (meio) e Downtown (sul).

Ao sair do metrô, por exemplo, temos placas para a saída NW (noroeste), ou NE (nordeste). E pegar o caminho certo ajuda a ganhar preciosos minutos. Se você descer na 86, na Lexington avenue, e quiser ir para o Central Park, é preciso saber que o parque fica a oeste da estação.

Além disso, a numeração das ruas também ganha a letra E ou W, para indicar de que lado da cidade está. Para ir ao endereço 200 W 73th Street, é preciso se dirigir para o lado oeste da ilha. Quem pegar o caminho errado estará a um Central Park de distância do destino!

Parece complicado? Aí que entra a tal dança da galinha azul. Nada melhor do que imaginar um pássaro gigante em cima do mapa de Manhattan te indicando a direção a seguir. Não que eu queira imaginá-lo, mas, confesso… ao pensar nos pontos cardeais, esta é a primeira coisa que me vem à cabeça. Só espero que, em breve, eu consiga me localizar sem precisar deste "auxílio"!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Roupa suja se lava em casa?

Para quem está em Nova York, a resposta para a pergunta acima fatalmente será não. Por aqui, é difícil as pessoas terem máquina de lavar em casa, por uma razão simples: não há espaço. Os apartamentos são sempre pequenos, e, em geral, não têm área de serviço. Por isso, tirando quem mora em prédios de luxo, ninguém lava a roupa suja em casa.

Mas, é claro, os nova iorquinos se adaptaram a isso. Muitos condomínio têm a laundry (lavanderia) no próprio prédio. Geralmente no subsolo, o espaço comporta uma ou algumas máquinas de lavar e de secar. Se a pessoa estiver com pressa, basta deixar a roupa lá embaixo, lavando, voltar pro apartamento, fazer outras coisas, e depois pegá-las.

Só que muitos lugares não têm a bendita laundry - como o prédio onde moro provisoriamente. Neste caso, só resta ir a uma lavanderia na rua. Surge aí uma cena engraçada. Pessoas andando pra lá e pra cá, com sacos de roupa suja nas costas. Mais ou menos como aquela lenda do homem do saco!

Uma vez na lavanderia, há duas opções. Com algumas moedas, é possível usar as máquinas, e esperar ali mesmo a roupa ficar pronta. Um belo programa para sábado à tarde! Ou então, basta deixar aquele saco cheinho com uma atendente, e passar depois para pegar tudo limpinho. Neste caso, paga-se por peso.

Qualquer que seja a escolha, sempre é desagradável exibir a roupa suja em público. Aquela camisa com marcas de gordura, a roupa de baixo recém-usada, a meia que passou o dia inteiro percorrendo a cidade… Não é algo que alguém queira mostrar para desconhecidos!

Ontem, deixei meu saco na lavanderia aqui perto. Tenho de pegá-lo a qualquer momento. Já me vejo roxo, com o olhar pra baixo, com vergonha de encarar a atendente, como se ela soubesse meus segredos mais íntimos! Que saudade de lavar a roupa suja em casa...