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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O mega trabalho de mobiliar o apartamento - parte 2



As caixas subiam as escadas do prédio, entravam no studio e lotavam aquele pequeno espaço. Foram 15 ao todo! Cama, sofá, 3 cadeiras, uma mesa de escritório e duas mesinhas. Tudo separado em diversos pedaços.

Contei aqui que fui convencido pelo funcionário da loja a montar os móveis sozinho. "É fácil, e você economiza esta grana" ele me disse. Realmente, economizar 200 dólares é muito bom! Então, aceitei o desafio. Agora estávamos ali, eu, as caixas e minhas modestas ferramentas recém-compradas.

Comecei pelo móvel da tv. Um rack pequeno, de dois andares. Fui ver as instruções, e a surpresa: eram só figuras! Não havia nada escrito, só o desenho de um boneco feliz indicando o que era certo fazer e um outro, triste, para mostrar o que era errado. Parecia mais um manual de instruções de um brinquedo!

Logo, percebi que meu rosto também iria passar por aquela transformação. Encaixei duas partes, parafusei, e então comparei com os desenhos. Olhei pra um, pra outro, pra um, pra outro… e meu sorriso foi rapidinho embora: havia montado errado. Isso aconteceu não uma, mas várias vezes!

Porém, fui em frente. Montei o rack, a mesa de canto, mesa do computador e 3 cadeiras (sim, elas também vêm desmontadas). Parei na metade do sofá. Dormi mais uma noite no colchão inflável e, no dia seguinte, continuei com o sofá e com a cama, já arrependido por ter comprado uma queen size!

No final, muitas horas de trabalho, olhei orgulhoso o apartamento mobiliado. Como disse uma amiga, "não basta ser repórter". Mais do que nunca, aqui em Nova York tenho que desenvolver inúmeras funções.

Liguei a tv, sentei no sofá-cama e… eis que ele fechou, comigo ali no meio. Me espremi, saí de lá e fui atender o telefone. Era minha família Relatei que tinha sido recém-engolido pela mobília nova. Mas, não entrei em muitos detalhes para eles não ficarem preocupados. Desliguei, abri o sofá cama e deixei-o ali, parado.

Nisso, ouvi um barulho. Era a persiana desabando da janela. (Havia montado dois dias antes) Subi na cadeira (já imaginando que ela também iria desmontar) e coloquei a persiana no lugar. Sentei no sofá… e eis que fui engolido por ele novamente. Abri o manual e comparei os desenhos com o sofá. Descobri onde tinha errado: os pezinhos estavam invertidos. Troquei, testei e desta vez não sofri nenhum dano!

Depois de tanto trabalho, tomei um banho e fui me deitar. Óbvio, pensando como seria caso a cama desmontasse no meio da noite...

domingo, 30 de outubro de 2011

A saga do apartamento - 2


No ultimo texto, prometi que agora falaria da montagem dos móveis. Mas, me pediram para contar primeiro sobre como encontrei apartamento aqui em Nova York. Então, atendendo a pedidos, eis a história.

Por mais que tenha pesquisado ainda em SP, só estando em NYC foi possível entender como funciona o mercado imobiliário daqui. Apartamentos como o que aparece em filmes e seriados, por exemplo, até existem. O que não existe é dinheiro na minha conta bancária para bancá-los! Os preços do aluguel são absurdos, ainda mais na ilha de Manhattan. Um dos metros quadrados mais caros do mundo!

Aqui, entendi por que nos anúncios que via ainda em SP era usada a expressão "pre-war". Os prédios, na maioria, são bem antigos. Foram construídos antes da 1a Guerra Mundial. E muitos parecem verdadeiros sobreviventes de guerra: mal-conservados, quase a ponto de demolição… só o preço não ficou parado no tempo!

Ainda sobre os anúncios, são inúmeros os itens a serem observados. Além do pre-war, há a laundry (lavanderia no próprio prédio, em geral no subsolo); walk-up or elevator building (escada ou elevador); broker fee (taxa do corretor), face norte ou sul… enfim, complicado.

Agora, soma-se a isto o fato de ser um estrangeiro com emprego no Brasil! Sem fiador, sem conta no banco, sem histórico de crédito, sem documento dos EUA. Aí sim fica praticamente impossível. Ouvia um não atrás do outro. Alguns lugares nem me davam a chance de ver o apartamento, eu já era descartado de cara!

Como consegui arranjar um lugar pra morar, então? Bem, como disse uma amiga minha assim que eu comecei a procurar apartamento aqui, tudo é questão de pensamento positivo! Era um domingo, final de tarde. Um corretor me ligou pra ver um imóvel. Já havia deixado recado pra tantos que nem lembrava mais qual era! Cheguei ao local, vi o studio em menos de dois minutos (aqui não temos tempo para ficar admirando o apartamento), e disse: é esse que eu quero. Meio que paixão à primeira vista.

Expliquei ao corretor que era estrangeiro, que não tinha comprovante de nada. Propus pagar um depósito mais alto (um valor que fica numa conta bancária e é devolvido no final do contrato, só como garantia caso ocorra algo). No dia seguinte, a notícia: havia sido aceito pelo dono do apartamento! Foi quase como passar num vestibular…

Aí, duas semanas depois me mudei com um colchão inflável, comprei os móveis… e no próximo texto prometo contar como foi a montagem.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A saga do apartamento

A rua estava meio deserta. O prédio era muito mal conservado. Havia meia dúzia de gente na porta. E eu me juntei ao bando.

Tinha visto o anúncio do apartamento no Craigslist. Era no finalzinho do Upper West Side, já perto do Harlem. Preço atrativo, marquei um horário com o corretor. Lá na porta, liguei novamente para ele, que me disse estar a caminho.

Enquanto eu observava o prédio, um senhor veio perguntar se eu havia esquecido a chave da porta. Expliquei que não, que esperava o corretor. Aí ele perguntou novamente - desta vez em espanhol - se eu havia esquecido a chave da porta. E eu respondi de novo - em inglês - que esperava o corretor para ver o apartamento. Mais uma vez, ele insistiu em conversar em espanhol, e eu, teimoso, respondi em inglês. O resultado: ele abriu aporta do prédio para eu entrar.

Se eu já estava meio desconfiado da segurança do lugar, agora não tinha mais dúvidas. Como aquela pessoa, que provavelmente era o zelador, permitia a entrada de qualquer um? Bem, me desliguei do bando e liguei pro corretor, dizendo que já estava lá dentro. "Estou a caminho", respondeu, mais uma vez.

Dez minutos, a porta do prédio se abriu, entrou um homem de terno sem a gravata, camisa pra fora da calça e boné. Era o corretor! Atrás dele veio o bando de gente -- a esta altura, deviam ser uns dez. Todos juntos na escada, ele falou rapidamente que iríamos ver o apartamento de dois dormitórios. Subimos até o quinto andar, ele abriu a porta e fizemos o "tour" de 20 segundos pelo local! Não deu tempo de abrir armários, ver banheiro, nada. Fila indiana, mudos, do jeito que entramos, saímos de lá.

Novamente na porta do prédio, o corretor disse que iria nos levar para ver outro apartamento ali perto. A fila indiana prosseguiu, com uma pessoa a menos. Peguei o caminho oposto e fui embora. Pois é, procurar um lugar pra morar aqui em Nova York realmente é uma aventura! Em breve, outras histórias...