Sou uma pessoa observadora. Agora, no outono, às vezes passo horas olhando pela janela, admirando a árvore no fundo do meu apartamento perder as folhas, conforme o vento sopra entre os seus galhos. É como se cada uma que caísse tivesse uma história diferente, e fico imaginando qual será o destino dela.
O mesmo acontece quando ando pela cidade. Olhar a feição no rosto dos desconhecidos e tentar descobrir algo da vida deles é um passatempo interessante. Nem preciso saber se estou certo ou errado, apenas invento histórias e brinco com elas na minha mente.
Outro dia fiz exatamente isso no metrô aqui em Nova York. Havia acabado de gravar a manifestação em Wall Street, e voltava para casa. Peguei a linha 4, expressa, que vai de downtown ao Upper East Side em uns vinte minutos. Vagão ainda vazio, me sentei. Logo em seguida, entrou um casal de idosos. Me levantei, e deixei a senhora se sentar no meu lugar.
Mais uma estação, e o marido dela se sentou ao lado. Olhei para os dois e comecei a pensar qual era o passado deles, há quanto tempo estavam juntos, se haviam morado sempre na cidade. E reparei que o senhor estava me observando. Eu desviava o olhar, voltava e lá estava ele, fazendo a mesma coisa. Me olhava com o canto de olho, disfarçava, pra depois voltar a me encarar.
Em alguns minutos cheguei à minha estação - que era a deles também. Os dois se levantaram, e a senhora me agradeceu novamente por tê-la deixado se sentar. Eis que o marido virou para mim e falou: "Sabe o que eu gosto de fazer quando ando de metrô? Observar as pessoas e imaginar a história delas." De cara, me disse: "Você é um jornalista de TV. Eu sei porque da cintura pra baixo está de calça jeans, e em cima, com blazer, camisa e gravata. Esta mala que está levando tem o seu equipamento de trabalho."
Fiquei tão impressionado que nem cheguei a comentar que eu fazia a mesma coisa. Só confirmei que ele estava certo, e, admirado, dei os parabéns. Rapidamente os dois se perderam na multidão. Meus olhos voltaram a procurar outras histórias. Mas minha mente continuou fixa naquela.
O mesmo acontece quando ando pela cidade. Olhar a feição no rosto dos desconhecidos e tentar descobrir algo da vida deles é um passatempo interessante. Nem preciso saber se estou certo ou errado, apenas invento histórias e brinco com elas na minha mente.
Outro dia fiz exatamente isso no metrô aqui em Nova York. Havia acabado de gravar a manifestação em Wall Street, e voltava para casa. Peguei a linha 4, expressa, que vai de downtown ao Upper East Side em uns vinte minutos. Vagão ainda vazio, me sentei. Logo em seguida, entrou um casal de idosos. Me levantei, e deixei a senhora se sentar no meu lugar.
Mais uma estação, e o marido dela se sentou ao lado. Olhei para os dois e comecei a pensar qual era o passado deles, há quanto tempo estavam juntos, se haviam morado sempre na cidade. E reparei que o senhor estava me observando. Eu desviava o olhar, voltava e lá estava ele, fazendo a mesma coisa. Me olhava com o canto de olho, disfarçava, pra depois voltar a me encarar.
Em alguns minutos cheguei à minha estação - que era a deles também. Os dois se levantaram, e a senhora me agradeceu novamente por tê-la deixado se sentar. Eis que o marido virou para mim e falou: "Sabe o que eu gosto de fazer quando ando de metrô? Observar as pessoas e imaginar a história delas." De cara, me disse: "Você é um jornalista de TV. Eu sei porque da cintura pra baixo está de calça jeans, e em cima, com blazer, camisa e gravata. Esta mala que está levando tem o seu equipamento de trabalho."
Fiquei tão impressionado que nem cheguei a comentar que eu fazia a mesma coisa. Só confirmei que ele estava certo, e, admirado, dei os parabéns. Rapidamente os dois se perderam na multidão. Meus olhos voltaram a procurar outras histórias. Mas minha mente continuou fixa naquela.
