quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Histórias de São Paulo

Anos 1930. São Paulo tenta manter um certo ar europeu. No centro da cidade, podemos ver a elegância dos homens, de terno e chapéu, em qualquer estação do ano, sob qualquer temperatura. A metrópole cresce com suas linhas irregulares, por onde os bondes passam, lotados de gente. É neste cenário que dois jovens se conhecem. Ele, um paulista filho de italianos. Ela, uma baiana. Os olhares se encontraram na rua Direita. É lá que a história do casal passa a fazer parte da história da metrópole.

Anos 1960. São Paulo já está com outra cara. A cidade tem pressa. Nas linhas irregulares, os bondes agora disputam lugar com os carros. A garoa que cai por ali encontra cada vez mais asfalto pela frente. De volta ao centro, temos outros dois jovens. Ela, baiana, filha do casal ali de cima. Ele, também baiano, passou pelo Rio de Janeiro antes de chegar aqui. Os olhares se encontram no elevador de um prédio comercial, e começam a escrever mais uma história dentro desta metrópole.

Anos 1980. São Paulo continua ligeira. A garoa permanece no apelido, apesar de a água que cai por ali insistir em ser cada vez mais pesada. A irregularidade das linhas fica por conta do metrô, que tem a estação principal no centro. Neste cenário, encontramos um garoto, filho do casal ali de cima. Os olhos dele passeiam deslumbrados pela região. São tantas pessoas, tantos prédios, tanta vida pulsando a cada instante! O olhar é apaixonado. Uma paixão inexplicável, por uma metrópole que sempre se reconstrói.

Ano 2012. O  garoto ali de cima cresceu. Seu olhar já visitou outras cidades, se deslumbrou com diversos cenários. Hoje, ele mora em uma metrópole diferente. Mas sabe que isso não significa uma traição. Ao se lembrar de São Paulo, os batimentos de seu coração ganham uma certa irregularidade, tais como as linhas da capital paulista. Mesmo longe, seus olhos buscam, por onde passam, lembranças da cidade pela qual um dia se apaixonaram. Porque ele sabe que é lá que está sua história.

Um comentário:

  1. Belo texto! Dois anos passam rapidinho... e a experiência fica pra sempre!

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